Por que Superman sempre foi um imigrante - e isso não é “politizar” o herói

Superman sempre foi um imigrante: entenda por que essa origem é central ao personagem e não um debate político, mas parte da história dos super-heróis.

Por Daniele Gonçalves

A DC Studios divulgou o primeiro trailer do novo filme Superman, dirigido por James Gunn, com estreia prevista para 10 de julho de 2025.

Quando o cineasta James Gunn descreveu seu novo filme do Superman como uma história de imigrantes, críticos logo o acusaram de politizar o personagem. Mas essa acusação ignora um fato histórico: Superman é, há 87 anos, o imigrante definitivo dos quadrinhos.

As origens de um refugiado cósmico

Superman chegou à América sem documentos, ainda bebê, fugindo de Krypton, um planeta prestes a ser destruído. Ele recebeu um nome mais “americano” — de Kal-El para Clark Kent — e aprendeu novos costumes. Ao longo do tempo, equilibrou sua herança com a cultura que adotou e usou seus poderes para proteger o país que inicialmente o temia.

Essa história não é subtexto: é a essência do personagem. Seus criadores, Jerry Siegel e Joe Shuster, eram filhos de imigrantes judeus que sabiam o que significava ser rejeitado. Em 1938, quando Hitler ascendia ao poder, eles imaginaram um herói que simbolizava o sonho americano: alguém capaz de defender os vulneráveis porque conhecia o peso do deslocamento.

Super-heróis nascidos do deslocamento

Se Superman fosse criado hoje, provavelmente enfrentaria deportação. Sem a cidadania por nascimento, Jerry Siegel e Joe Shuster poderiam ter sido expulsos dos Estados Unidos e enviados à Europa nazista, sem jamais criar o ícone que definiu a cultura pop.

Sem Superman, não haveria gênero de super-heróis como o conhecemos. Seus sucessores — Batman, Capitão América, Homem-Aranha — também nasceram das histórias de filhos de imigrantes. As circunstâncias quase apagaram o legado cultural global dos super-heróis antes mesmo de ele começar.

O paradoxo americano

Superman perdura porque simboliza o paradoxo central dos Estados Unidos: uma nação forjada por deslocados. Entre imigrantes, escravizados, refugiados e sonhadores, cada geração trouxe uma nova história de superação. Superman, o órfão supremo, transforma essa ferida compartilhada em propósito, provando que nossa maior força vem do que escolhemos nos tornar — não apenas de onde viemos.

Um debate que persiste

Em 2013, a campanha Superman é um Imigrante incentivou americanos a compartilharem histórias de imigração familiar. Críticos tentaram ridicularizar a campanha, mas ajudaram a reforçar essa verdade histórica.

Hoje, enquanto o filme de Gunn estreia e debates sobre imigração voltam ao centro das atenções, essa mensagem permanece urgente. Na pré-estreia, Gunn declarou: Este é um filme sobre gentileza, e acho que é algo com que todos podem se identificar. Ainda assim, veículos conservadores criticaram a abordagem. Na Fox News, Jesse Watters ironizou o herói com legendas como “Superwoke”, enquanto o Outkick afirmou que a América não precisa “ser gentil” só porque um alienígena fictício trouxe algo positivo.

O novo filme de Superman chega aos cinemas poucos dias depois do último 4 de Julho antes do 250º aniversário dos Estados Unidos. Além disso, ele lembra ao país que o heroísmo sempre surgiu da experiência do imigrante e que essa visão não pertence a nenhum partido, mas faz parte essencial do mito americano.

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